02/24/2019
Missas Gregorianas
No tocante aos sufrágios pelos defuntos, o Papa S. Gregório Magno (+ 604) deu origem ao costume das Missas diárias consecutivas: podiam ser três, sete, dez, trinta ou mais. A série de trinta tornou-se famosa com o nome de "Missas gregorianas", baseadas no seguinte episódio narrado por S. Gregório Magno, outrora monge no mosteiro do Monte Célio (Roma):
Certo monge chamado Justo morreu; após o quê, foram descobertas três moedas de ouro ocultas entre os seus objetos de uso; tratava-se de algo ilícito no mosteiro. O Abade Gregório muito se entristeceu com o fato, pois o irmão havia falecido em situação irregular; devia purificar-se dessa falha no purgatório póstumo. Chamou então o monge Prior e mandou-lhe que fizesse celebrar uma série de Missas em dias consecutivos sem interrupção. A ordem foi sendo executada, de tal modo que certo dia o falecido monge Justo apareceu a seu irmão Copioso (monge do mesmo mosteiro), comunicando-lhe que havia sofrido as p***s do purgatório até aquele dia, em que fora libertado; os monges haviam perdido a conta das Missas; todavia, ao ouvirem a notícia trazida por Copioso, verificam que o fato ocorrera após a celebração da trigésima Missa (ver Diálogos, livro IV, 55).
Este episódio tornou-se paradigma, dando origem ao costume de se celebrarem trinta Missas consecutivas por um defunto, sem interrupção, na esperança de que, após a trigésima Missa, este, tendo expiado as suas faltas, entre no gozo da visão beatífica.
À "série gregoriana" não se devem atribuir efeitos supersticiosos ou mágicos; a Igreja deixa a cada fiel a liberdade de aceitar ou não tal prática, que nada contém de herético, mas se deriva de revelação particular.
O próprio S. Gregório Magno escrevia:
"É mais seguro alguém fazer por si mesmo, enquanto vivo, o bem que espera ser-lhe feito, depois de morto, pelos outros; é melhor livre partir desta vida do que como prisioneiro, depois da morte, procurar a liberdade" (Diálogos, livro IV 58).
Com estas palavras, S. Gregório Magno rechaçava qualquer atitude de magia ou superstição, ensinando a vivência sacramental clássica no decorrer desta vida.