27/05/2026
Enquanto o brasileiro comum enfrenta fila em hospital, juros altos e insegurança crescente, a elite do poder nacional prepara mais uma edição do chamado “Gilmarpalooza”, apelido dado ao Fórum de Lisboa promovido pelo ministro Gilmar Mendes. O evento reúne magistrados, políticos, empresários e figuras centrais da República em um ambiente luxuoso em Portugal, longe do escrutínio popular e cercado de relações que levantam questionamentos sobre independência institucional. A edição deste ano contará com nomes como Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Paulo Gonet e Hugo Motta.
A justif**ativa oficial fala em “ampliar conexões estratégicas”, mas a pergunta inevitável é: conexões estratégicas para quem? O cidadão que paga impostos dificilmente consegue enxergar benefício concreto em encontros onde autoridades que deveriam manter distância institucional aparecem dividindo painéis, jantares e articulações políticas em solo estrangeiro. O fato de o evento ser organizado pelo IDP, instituição ligada a Gilmar Mendes e que já teve Paulo Gonet como sócio, ap***s reforça a percepção de um sistema fechado, onde os mesmos atores circulam entre tribunais, poder político e interesses privados.
Em democracias maduras, magistrados da Suprema Corte costumam evitar qualquer ambiente que comprometa a aparência de imparcialidade. No Brasil, porém, o que deveria causar constrangimento virou tradição anual. A proximidade pública entre ministros do STF, parlamentares investigados, empresários e membros do Executivo alimenta a desconfiança popular sobre até que ponto existe separação real entre os poderes. Não é coincidência que o termo “Gilmarpalooza” tenha se popularizado com tom de ironia e crítica.
O mais simbólico é que tudo isso ocorre em meio a discursos constantes sobre defesa da democracia e das instituições. Mas que credibilidade institucional sobra quando a cúpula do poder parece funcionar como um clube exclusivo? O problema não é debater ideias em Lisboa. O problema é transformar a República em um circuito de influência permanente, distante da realidade do povo brasileiro e blindado de qualquer desconforto moral.